Os AHAs, como o ácido glicólico e o láctico, esfoliam a pele e melhoram a textura e a luminosidade. Saiba para que servem e como usá-los com segurança.
29 Oct 2026
Os AHAs são ingredientes muito utilizados nos cuidados da pele, sobretudo em produtos destinados a melhorar a textura, a luminosidade e a uniformidade do rosto. Conhecidos como alfa-hidroxiácidos, promovem a esfoliação química da superfície cutânea, ajudando a remover células mortas e a tornar a pele visualmente mais lisa e luminosa.
O ácido glicólico e o ácido láctico são dois dos AHAs mais comuns em séruns, tónicos e cremes de rosto. Quando utilizados corretamente, podem ajudar a atenuar a aparência de linhas finas, manchas superficiais e irregularidades da textura. No entanto, a sua eficácia e tolerância dependem da formulação, da concentração, da frequência de utilização e das características da pele.
Neste artigo, explicamos o que são os AHAs, para que servem, quais as diferenças entre os principais tipos e como integrá-los numa rotina de cuidados da pele de forma segura.

1. O que significa AHAs?
AHAs é a sigla inglesa de Alpha Hydroxy Acids, ou alfa-hidroxiácidos em português. São uma família de ácidos orgânicos utilizados em cosmética e dermatologia, principalmente pelas suas propriedades esfoliantes.
Na pele, estes ingredientes ajudam a reduzir a coesão entre as células mortas da camada mais superficial da epiderme, facilitando a sua descamação natural. Este processo contribui para uma superfície cutânea mais uniforme e pode melhorar a aparência de determinadas imperfeições.
Entre os AHAs mais utilizados em produtos cosméticos encontram-se:
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Ácido glicólico: conhecido pela sua ação esfoliante e utilizado em produtos para melhorar a textura, a luminosidade e a aparência das linhas finas.
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Ácido láctico: promove a esfoliação e pode também contribuir para a hidratação da pele.
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Ácido mandélico: apresenta uma molécula de maiores dimensões do que a do ácido glicólico, o que pode influenciar a sua penetração cutânea e tolerância.
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Ácido málico: encontrado naturalmente em frutos, como as maçãs, e utilizado em algumas formulações esfoliantes.
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Ácido tartárico: presente naturalmente nas uvas, pode integrar fórmulas esfoliantes, por vezes em associação com outros ácidos.
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Ácido cítrico: utilizado em cosmética, nomeadamente para ajustar o pH das formulações, podendo também participar na esfoliação, consoante a composição do produto.
Embora alguns destes compostos estejam presentes naturalmente em alimentos, a origem natural ou sintética do ingrediente não determina, por si só, a sua eficácia ou segurança. O que importa é a formulação final e a forma como o produto é utilizado.
2. Para que servem os AHAs na pele?
Os AHAs são sobretudo utilizados para promover a renovação da camada superficial da pele. Os seus efeitos podem ser úteis em diferentes preocupações estéticas, embora os resultados variem de pessoa para pessoa.
Melhorar a textura e a luminosidade
A acumulação de células mortas pode contribuir para um aspeto baço e para uma superfície cutânea irregular. Ao facilitar a sua remoção, os alfa-hidroxiácidos ajudam a tornar a pele mais lisa e luminosa.
Este efeito pode ser particularmente interessante para quem sente que a pele perdeu luminosidade ou apresenta uma textura pouco uniforme.
Atenuar a aparência das linhas finas
A utilização regular de determinadas formulações com AHAs pode contribuir para melhorar a aparência de linhas finas e sinais associados ao envelhecimento cutâneo.
O ácido glicólico e o ácido láctico são frequentemente utilizados em produtos com esta finalidade. Contudo, os efeitos dependem da concentração, do pH, da formulação e da continuidade da utilização. Estes ingredientes não eliminam as rugas profundas nem substituem a fotoproteção.
Ajudar a uniformizar o tom da pele
Os AHAs podem ajudar a melhorar a aparência de algumas manchas superficiais e de irregularidades na pigmentação, ao favorecerem a renovação da camada mais externa da pele.
No entanto, nem todas as manchas têm a mesma origem. O melasma, as manchas associadas à exposição solar e as marcas que permanecem após lesões inflamatórias podem exigir abordagens diferentes. A esfoliação excessiva também pode agravar a hiperpigmentação, sobretudo em peles mais suscetíveis.
Suavizar zonas ásperas e pele espessada
A ação esfoliante destes ingredientes pode ser útil em zonas com textura irregular ou acumulação de células mortas. Para além do rosto, existem formulações destinadas ao corpo, nomeadamente para determinadas áreas ásperas.
A escolha do produto deve ter em conta a zona de aplicação, uma vez que a pele do rosto e a do corpo podem apresentar necessidades e tolerâncias diferentes.
Contribuir para uma pele com aspeto mais uniforme
Ao melhorar a descamação superficial, os AHAs podem contribuir para uma aparência cutânea mais regular. Em determinadas formulações, o ácido láctico também ajuda a manter a hidratação.
Importa, contudo, distinguir os benefícios cosméticos de um tratamento médico: estes ingredientes não devem ser considerados uma solução universal para acne, cicatrizes, manchas persistentes ou outras doenças da pele.
A gama Filorga Daily Peel é um exemplo de esfoliação diária com AHAs (ácido láctico e mandélico): a versão Daily Peel Antirrugas foca-se na textura e nas linhas finas, e a versão Daily Peel Antimanchas no tom irregular.
3. Quais são as diferenças entre os principais AHAs?
Embora pertençam à mesma família, os alfa-hidroxiácidos não são todos iguais.
As diferenças na estrutura molecular, na concentração e na formulação influenciam a sua ação e tolerância.

Ácido glicólico
O ácido glicólico tem uma molécula de pequenas dimensões, o que favorece a sua penetração na pele. É um dos AHAs mais estudados e utilizados em cosmética.
Pode ser encontrado em séruns, tónicos, cremes e produtos esfoliantes destinados a melhorar a textura, a luminosidade e a aparência das linhas finas.
A sua ação pode ser mais intensa do que a de outros ácidos em determinadas formulações, pelo que uma concentração elevada ou uma utilização demasiado frequente pode provocar irritação.
Ácido láctico
O ácido láctico é outro dos ingredientes mais comuns nesta categoria. Além da ação esfoliante, pode contribuir para a hidratação cutânea, dependendo da concentração e da formulação.
É uma opção a considerar em produtos destinados a melhorar a suavidade e a luminosidade da pele. Ainda assim, não deve ser automaticamente considerado adequado para todas as peles sensíveis: a tolerância depende do produto e do estado da barreira cutânea.
Ácido mandélico
O ácido mandélico tem uma molécula maior do que a do ácido glicólico, característica que pode tornar a sua penetração mais gradual em determinadas formulações.
É utilizado em produtos esfoliantes, incluindo alguns destinados a peles com tendência para imperfeições. No entanto, não existe um ácido universalmente melhor para todos os tipos de pele, e a tolerância deve ser avaliada individualmente.
Ácido glicólico, láctico e mandélico: comparação rápida
| Ácido | Tamanho da molécula | Principal efeito | Pode ser opção para | A ter em conta |
|---|---|---|---|---|
| Glicólico | Pequena: penetra mais facilmente na pele | Esfoliação; textura, luminosidade e aparência das linhas finas | Pele baça e com textura irregular | Ação que pode ser mais intensa; concentração alta ou uso muito frequente pode irritar |
| Láctico | Maior do que a do glicólico | Esfoliação e contributo para a hidratação | Pele baça, com tendência para secura e aspereza | Não é automaticamente adequado a todas as peles sensíveis |
| Mandélico | Maior do que a do glicólico: penetração mais gradual | Esfoliação | Pele com tendência para imperfeições | Tolerância a avaliar caso a caso |
Orientação geral: a concentração, o pH e os restantes ingredientes da fórmula podem alterar o resultado e a tolerância.
Como escolher?
A escolha deve partir da principal preocupação cutânea, e não apenas do nome do ingrediente.
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Pele baça e textura irregular: pode beneficiar de uma formulação com ácido glicólico ou láctico.
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Pele com tendência para secura e aspereza: pode ser útil considerar produtos com ácido láctico e ingredientes hidratantes.
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Pele com tendência para imperfeições: o ácido mandélico pode ser uma opção, mas a escolha deve considerar o tipo de lesão e a sensibilidade cutânea.
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Pele sensível ou com a barreira cutânea comprometida: convém ter especial prudência com os esfoliantes e avaliar primeiro a tolerância da pele.
Estas indicações são orientações gerais, não uma regra absoluta. A concentração, o pH e os restantes ingredientes da fórmula podem alterar significativamente o resultado.
4. Como usar AHAs na rotina de cuidados da pele?
Para aproveitar os benefícios dos alfa-hidroxiácidos, é importante introduzi-los gradualmente e respeitar as instruções do produto.
1. Começar com uma utilização pouco frequente
Se nunca utilizou um produto com AHAs, comece com uma frequência baixa, por exemplo, uma ou duas noites por semana, desde que esteja de acordo com as instruções do fabricante. A frequência pode ser ajustada consoante a tolerância da pele.
2. Aplicar sobre a pele conforme indicado
Alguns produtos destinam-se a ser aplicados após a limpeza e permanecem na pele; outros são produtos de enxaguamento. Respeite o modo de utilização, a quantidade recomendada e o tempo de contacto indicado na embalagem.
Um exemplo de produto com AHAs que se enxagua:
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3. Reforçar a hidratação
Um creme hidratante adequado ajuda a manter a barreira cutânea e pode contribuir para reduzir a sensação de secura associada à esfoliação. Ingredientes como a glicerina e as ceramidas podem ser úteis numa rotina de suporte.

4. Usar proteção solar diariamente
Os AHAs podem aumentar a sensibilidade da pele à radiação ultravioleta e o risco de queimadura solar.
Durante a utilização, aplique diariamente um protetor solar de largo espetro, idealmente com FPS 50 ou 50+, e complemente com medidas de proteção física, como chapéu e procura de sombra.
A proteção solar continua a ser importante mesmo em dias nublados. A FDA recomenda ainda limitar a exposição solar e manter as medidas de proteção durante uma semana após a interrupção de produtos com AHAs.
5. Evitar acumular demasiados ativos
No início, evite utilizar no mesmo dia vários produtos esfoliantes ou combinar os AHAs, sem orientação, com outros ingredientes potencialmente irritantes, como retinoides ou outros ácidos. A compatibilidade depende dos produtos e da tolerância individual.
Não é necessário sentir ardor, vermelhidão ou descamação intensa para que um produto esteja a funcionar. Se estes sintomas surgirem, suspenda a utilização e reavalie a rotina.
5. Os AHAs são adequados para todos os tipos de pele?
Não. Embora possam ser úteis em diferentes rotinas de cuidados da pele, nem todas as pessoas toleram estes ingredientes da mesma forma.
As peles sensíveis, muito secas, irritadas ou com a barreira cutânea comprometida podem reagir mais facilmente à esfoliação. Pessoas com rosácea, eczema ou outras doenças dermatológicas devem procurar aconselhamento profissional antes de introduzirem estes produtos.
É igualmente importante ter cuidado quando existem lesões, queimaduras solares ou irritação ativa. Nestes casos, a prioridade deve ser recuperar a barreira cutânea, em vez de intensificar a esfoliação.
Durante a gravidez ou a amamentação, a escolha de produtos cosméticos deve ser individualizada, sobretudo quando se consideram formulações de elevada concentração ou peelings. Em caso de dúvida, procure aconselhamento médico ou farmacêutico.
6. Quais são os efeitos secundários mais frequentes dos AHAs?
Os efeitos indesejáveis mais comuns incluem:
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Ardor ou sensação de picadas;
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Vermelhidão e irritação;
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Secura e descamação;
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Maior sensibilidade à exposição solar.
Em situações de utilização inadequada ou de exposição a formulações demasiado intensas, podem ocorrer reações mais importantes, incluindo inflamação e queimaduras químicas.
Se surgir irritação persistente, interrompa a utilização. Em caso de dor intensa, bolhas, inchaço significativo ou reação importante, procure avaliação médica.
A segurança depende da concentração, do pH, da formulação, da frequência de aplicação e do cumprimento das instruções.
Por isso, não se devem reproduzir em casa peelings profissionais nem utilizar produtos de elevada concentração sem acompanhamento adequado.
7. Perguntas frequentes sobre os AHAs
O que significa AHA em cosmética?
AHA significa Alpha Hydroxy Acid, ou alfa-hidroxiácido. É uma família de ácidos orgânicos utilizada em cosmética sobretudo para promover a esfoliação da superfície da pele.
Qual é o melhor AHA para o rosto?
Não existe um AHA ideal para todas as pessoas. O ácido glicólico é frequentemente utilizado para melhorar a textura e a luminosidade, enquanto o ácido láctico combina esfoliação com potenciais benefícios hidratantes. A escolha depende da formulação e da tolerância cutânea.
Os AHAs ajudam a reduzir as manchas?
Podem ajudar a melhorar a aparência de algumas manchas superficiais e irregularidades do tom da pele. No entanto, os resultados dependem da causa da pigmentação e a esfoliação excessiva pode agravar algumas manchas. A fotoproteção é indispensável.
Os AHAs podem ser usados todos os dias?
Depende do produto, da concentração, da formulação e da tolerância da pele. Não se deve assumir que a utilização diária é adequada para todos. É preferível começar com uma frequência baixa e seguir as instruções do fabricante.
Posso usar AHAs e retinol na mesma rotina?
A combinação pode aumentar o risco de irritação, sobretudo em pessoas que estão a começar a utilizar estes ingredientes. Uma abordagem prudente consiste em introduzi-los separadamente e, quando necessário, utilizá-los em noites diferentes, com aconselhamento profissional se houver dúvidas.
Os AHAs tornam a pele mais sensível ao sol?
Sim, os AHAs podem aumentar a sensibilidade da pele à radiação ultravioleta. A utilização diária de protetor solar e a limitação da exposição solar são medidas importantes durante o tratamento e após a sua interrupção.
Qual é a diferença entre ácido glicólico e ácido salicílico?
O ácido glicólico é um AHA utilizado sobretudo para esfoliar a superfície da pele e melhorar a textura e a luminosidade. O ácido salicílico é um BHA frequentemente utilizado em produtos para peles com tendência para poros obstruídos e imperfeições. A escolha depende da necessidade cutânea.
Em resumo
Os AHAs são ingredientes esfoliantes que podem ajudar a melhorar a textura, a luminosidade e a uniformidade da pele. O ácido glicólico e o ácido láctico são duas das opções mais comuns, mas a escolha deve ter em conta as características da pele, a formulação e a tolerância individual.
Para obter benefícios sem comprometer a barreira cutânea, introduza estes ingredientes gradualmente, evite a acumulação de produtos potencialmente irritantes, mantenha uma hidratação adequada e utilize proteção solar diariamente.
Em caso de pele sensível, doença dermatológica ou dúvida sobre a escolha do produto, procure aconselhamento dos nossos farmacêuticos.



